este blog não está mais sendo atualizado.
estou em: http://www.gritedo.org/franty/


por franty
em 21.8.04



oh get me away from here i'm dying


em janeiro de 2003 eu encerrei minhas atividades no blogger americano e iniciei a casa de vidro no blogger brasil. as vantagens eram muitas, além de espaço ilimitado para imagens (o blogger gringo nem tinha espaço para arquivos) ainda não tinha aquele banner irritante em cima do blog. fora que tudo era em português, e por mais que o inglês não seja uma dificuldade, é bem mais aconchegante trabalhar no meu primeiro idioma.

e aqui eu fiquei. tranquilo. postando quase todos os dias... eventualmente transformando o que era um site pessoal em uma revista eletrônica de música (principalmente) e cultura em geral. legal... nas não era mais um blog. ok. muitos dos que lêem a casa de vidro não gostam mesmo de ler blogs (a estes eu peço desculpas pelo que vou fazer). por um lado era legal, claro, virei jornalista sem nem perceber (por bem ou por mal). sei que muita gente visita a casa por dicas de novos artistas, filmes, etc. e fico feliz em poder divulgar as coisas que eu gosto (melhor do que muita gravadora, inclusive), principalmente as coisas que não aparecem muito por aqui.

nessa brincadeira de jornalismo musical eu me dei conta que a casa era muito mais rápida do que muito site, revista ou programa de tv brasileiros que tratassem de música alternativa e independente. foi aí que surgiu a idéia de fazer um site, em português, com tudo que eu encontro nas minhas diversas fontes (que vão de revistas musicais online a blogs e messageboards - sem contar com o bom e velho soulseek, onde eu descubro se o que li a respeito é bom ou não). claro, fazer um site desses sozinho ia dar muito trabalho... um site tem que ser atualizado com maior freqüência... tem que ter um conteúdo maior e, eu gostaria, mais diversificado. a bruna adorou a idéia e entrou nessa de primeira.

acabamos encontrando o bueno, amigo de festa e companheiro do andrio (dos superguidis) no blog lisergia. ele também tinha vontade de fazer um site como eu queria, negociamos por meses e chegamos a conclusão de como ele deveria ser. convidamos o andrio pra brincar com a gente. escolhemos um nome: gritedo. compramos o domínio, alugamos o salão, e estamos no momento em processo de criação do site em si... escolhendo um bom sistema php (que nos permita postar no site com maior dinamisno, de onde a gente quiser, etc). isso ainda vai demorar um tempo, mesmo porque nossos conhecimentos técnicos ainda são um pouco limitados... portanto o gritedo não vai ver a luz do dia ciberespacial em menos de um mês (ou um pouco mais).

mesmo assim ficou possível pra nós fazermos blogs no espaço que compramos, utilizando um blog engine bem melhor que o blogger brasil, o wordpress. ainda estamos dando os retoques finais, mas vamos poder começar a postar logo, logo. ainda temos que instalar o blog da bruna, e o dos guris (sim, o bueno e o andrio vão continuar dividindo um blog) ainda está sendo configurado. ah, e os comentários estão uma merda, mas logo a gente arruma.

eu continuo a escrever as resenhas, artigos, etc. só que vou guardá-los pro gritedo, assim que ele ficar pronto. no meu novo blog, o moshi moshi, vou voltar a escrever como fazia mais no início da casa de vidro.. contos, viagens, bobagens, mas nada de material jornalístico. claro, vou manter um bom nível (as bobagens vão ser de alta classe) pra não desperdiçar o seu e o meu tempo.

quer ir lá dar uma olhada? então visite:
http://gritedo.org/franty

a casa vai continuar no ar. e o material dos arquivos não será colocado no lixo.

ah sim.... em homenagem ao meu blog, que foi um grande companheiro por todos estes meses, roubo as palavras do sr. stephen malkmus, que sempre diz o que eu queria dizer, só que mais bonito:

"i was dressed for success
but success it never comes
and I'm the only one who laughs
at your jokes when they are so bad
and your jokes are always bad
but they're not as bad as this
come join us in a prayer
we'll be waiting, waiting where
everything's ending here
and all the sterile striking it
defends an empty dock you cast away
and rain upon your forehead
where the mist's for hire if it's
just too clear
let's spend our last
quarter stance randomly
go down to the outlet once again
painted portrait of minions and slaves
crotch mavens and one night plays
are they the only ones who laugh
at the jokes when they are so bad
and the jokes are always bad
but they're not as bad as this
come join us in a prayer
we'll be waiting, waiting where
everything's ending here
and all the spanish candles
unsold have gone away to this
and a run-on piece of mount on
trembles shivers runs down the freeway
i guess she spent her last quarter randomly
i guess a guess is the best I'll do
i'll do last guess
last time last time is the best time"

(pavement)


por franty
em 5.8.04



bonnie 'prince of babylon' billy...





este ano ele já lançou um album (de covers dele mesmo), dois eps, participou de 4 compilações e fez duas turnês, uma com björk e outra como headliner. bem, pra qualquer um isso já seria até demais, mas é de will oldham (ou bonnie 'prince' billy, ou palace music, brothers, etc) de quem estamos falando, um sujeito que desde o início dos anos 90 não passa um ano sequer sem lançar alguma coisa, aliás, não passa um sequer ano sem lançar pelo menos uns 3 ou 4 discos ou singles ou eps diferentes.

o segundo semestre de 2004 não será diferente. primeiro esse ep, dividido com a banda que abriu sua última turnê, o brightblack, e mais adiante 2 (ou 3) singles, e de quebra, um album novo, junto com um tal de wolfman (na verdade matt sweeney, o guitarrista do finado zwan).

o ep em questão, com 6 faixas (3 de oldham e 3 do brightblack) é composto apenas de covers. oldham regravou grateful dead (brokedown palace), bob marley (everybody's talking about the babylon system)
e donovan leitch (the lullaby of spring). ao contrário de seus trabalhos mais recentes, voltados para o country mais tradicional, este ep traz um bonny billie mais acústico, pelo menos em duas das faixas. a do grateful dead pega forte no bluegrass, enquanto a do bob marley está mais para o folk acústico. os vocais de oldham nessas gravações estão entre os melhores já gravados pelo cantor, principalmente em '..babylon system", onde ele chama no gogó em um final apoteótico e emocionante (parece que abrir pra björk mexeu com o jeito de cantar do rapaz).

a terceira cover, do cantor sessentista e psicodélico donovan leitch, é a coisa mais diferente já gravada por oldham: quem adquirir esse ep terá a chance de ouvir bonnie 'prince' billy cantando um synth-pop extremamente dancante, na linha new order/notwist/postal service! o melhor é que o cara se dá muito bem com a idéia, produzindo um resultado inesperado e de alta qualidade.

o brightblack também não faz feio. chega a dar pra perceber a qualidade sonora da banda (que eu ainda não conhecia, mas pretendo escutar melhor), em covers de artistas que eu não tenho a menor idéia de quem sejam (já foi difícil descobrir que 'lullaby..' era do donovan leitch, já que não tem nada de informação na rede a respeito das versões originais deste ep na internet). a banda me lembrou um bocado o lambchop, só que um pouco mais experimental.

não satisfeito com tudo isso, ele ainda está atuando em um filme chamado "the guatemalam handshake", onde faz o papel de um sujeito chamado donald, desaparecido há 10 anos. oscar, alguém aí falou em oscar?

http://www.palacerecords.com/
http://www.palace.free.fr/
http://www.guatemalanhandshake.com/






...e o resto da ripongagem


não falei ainda da turma do devendra banhart e da joanna newsom por falta de paciência, e não por desconhecê-los. a coisa é que eu me incomodo um pouco com o excesso de ripongagem da parte deles. mesmo assim, não dá pra negar a qualidade musical dessa turma, principalmente da joanna newsom, e seu genial folk tocado com harpa..



aparentemente, devendra banhart é o novo herói neo-hippie/psicodélico que todo mundo sempre quiz adorar, mas não sabia (nem que precisava disso). pelo menos é o que as reportagens e resenhas a respeito do cara tem dito. coisa do tipo "esperei por um longo tipo que alguém como devendra banhart aparecesse, nascido em uma mística cigana que normalmente é reservada para artistas excêntricos e achados exclusivos para musicologistas." estranho? bem, esse texto foi copiado de um site de música alternativa. eu acho essa conversa muito estranha, mas é o que se lê em praticamente todos os textos a respeito de banhart. segundo dizem, ele é a maior revelação dos últimos anos, o rei da cocada preta e da branca, o salvador da lavoura, e o que mais vocês quiserem usar para chamar o cara de jesus cristo júnior. o mais estranho é que eu tenho a impressão de já ter lido isso em outros tempos a respeito de outros caras (alguns, inclusive, mais chegados num banho), will oldham inclusive.

isso não quer dizer que banhart não seja um cara de talento, pelo contrário, ele é realmente bom. pessoalmente, acho que ele é apenas isso: bom (note que acima de "bom" existe ainda o "muito bom", o "ótimo", etc). essa mística hippie já deu o que tinha que dar nos anos sessenta, fez ora extra nos setenta, e morreu (mas não deitou) nos oitenta. musicalmente banhart explora, com talento e certa singularidade o bom e velho folk americano e psicodélico, seguindo tradições há muito traçadas por ícones como bob dylan e syd barrett.

seu mais recente album, 'rejoicing the hands', com certeza vai ter um lugar de destaque nas listas de melhores de 2004 (merecidamente, se não estiver muito além do 5o lugar e especialmente se não estiver sequer próximo ao album de estréia do dios). as músicas são um bocado parecidas umas com as outras, com excessão, talvez, de 'todos los dolores', cantada em espanhol (devendra morou na venezuela).




agora com joanna newsom a coisa muda completamente de figura. com fãs que incluem até will oldham e cat power, a harpista californiada de 21 anos lançou este ano seu segundo trabalho, 'the one-eyed mender' (na verdade uma releitura mais bem trabalhada e produzida do primeiro ep, 'walnut whales'), uma verdadeira obra prima expressada atravéz de um improvável folk tocado com harpas.

não são muitos os harpistas famosos na atualidade. na real, fora zeena parkins (que toca com a björk), não me lembro de mais nenhuma pessoa tocadora de harpa que faça sucesso entre o público pop. portanto, não sei dizer se ela é uma grande instrumentista ou não.. mas o que importa? suas músicas parecem trilhas sonoras para antigas fábulas medievais, porém jogadas em um mundo pós-moderno, afetado pelas mudanças culturais geradas pela música pop dos anos sessenta até os dias de hoje. sua voz também não passa desapercebida, pelo contrário, é algo tão inusitado quanto a idéia de se estar escutando folk com harpas. entre o infantil e o fantasmagórico, os vocais de newsom estão entre os mais expressivos dos últimos tempos, assemelando-se em alguns momentos tanto à björk quanto à billie holiday.

falei das letras? as letras de newsom são de uma beleza assustadora, quase congeladas no tempo de tão bem desenvolvidas. todas essas qualidades fazem de joanna newsom uma artista realmente única, possível apenas nos dias de hoje, apesar de emitir ecos permanentes de tempos há muito passados.

e porque colocar devendra e joanna na mesma reportagem? bem, os dois são amigos, claro, e a prova disso está na participação especial de newsom no album de estréia da banda vetiver (na faixa 'amerillie'), que conta com banhart na sua formação oficial. também amados pela crítica (como tudo que tem devendra banhart no meio) eles vão pela mesma praia de folk e psicodelia, mas com uma ênfase mais anacrônica e uma sonoridade mais complexa (além de newsom, outras participações especiais incluem até hope sandoval). os vocais são de andy cabic, parceiro de banhart nas composições, e demonstram uma beleza delicada e cativante.

essa turma é o eixo central de uma cena que a revista the wired batizou de novo "avant-folk" americano. dentro do seu alcançe comercial (limitado ao circuito underground, afinal não podemos esperar ver algum desses artistas na mtv) eles alcançaram um reconhecimento e sucesso impressionantes, tanto em quantidade de elogios recebidos como na velocidade em que chamaram a atenção de seus fãs. sua maior qualidade, creio eu, é seu anacronismo, sua atemporalidade musical que regata estilos e sensações do passado sem perder contato com a realidade atual. o problema, como sempre, é o hype e talvez a agragação de fãs não tão fascinados pela música, mas sim pela "mística cigana" de seus representantes.

http://www.walnutwhales.com/ (joanna newsom)
http://www.dragcity.com/bands/newsom.html (joanna newsom)
http://www.younggodrecords.com/Artists/DevendraBanhart (devendra banhart)


por franty
em 25.7.04



and i love you will know us by the trail of dead but i've chosen darkness






i love tou but i've chosen darkness - ep (emperor jones, 2004)
quando o ...and you will know us by the trail of dead apareceu, junto com o at the drive in, parecia que bandas texanas com nomes esquisitos iriam ser a salvação do indie rock e do punk rock, nesta ordem. mas o sonho durou pouco, o at the drive-in acabou logo que virou hype e o trail of dead perdeu a energia em seu primeiro album em uma grande gravadora (e perdeu o baixista, que deixou a banda por "problemas pessoais" recentemente).

mas crianças, não temam mais! de austin, texas, vem mais uma banda, indie até os ossos (pelo menos por enquanto) e com um belo nome pra nossa coleção: i love you but i've chosen darkness.

o primeiro ep dos caras, com cinco faixas e produzido por britt daniel (spoon) é, aparentemente, o prenúncio de uma grande banda nova. claro, pode ser que eles não sejam capazes de fazer algo tão legal quanto isso aqui, ou pode ser que eles assinem com a única gravadora grande do mundo, a nova e ultralucrativa-pra-caramba a sony-bmg (é verdade, o monstro de duas cabeças agora existe) e façam um disco de nu-metal. sim, claro, qualquer coisa pode acontecer.

mas, vamos combinar, é bem provável que algo de bom venha dos caras. o nome é longo. é engraçado. a banda é texana. tá. o bush também é texano. mas as bandas são legais, eu juro.

musicalmente (desculpa, tinha esquecido desta parte) o ilubicd (fica legal abreviado também!) apresenta influências de bandas de indierock dos anos 90, (trail of dead, built to spill e sunny day real estate) e alguma coisa de new wave (seguindo um pouco na linha do interpol). o destaque na banda vai pras guitarras, cujas melodias intercaladas produzem uma sonoridade familiar, mas nem por isso repetitiva. é difícil escolher uma faixa preferida em meio a cinco belos números como estes, mas vou votar na última 'your worst is the best', também a mais melódica do ep.

não diz nada no site oficial a respeito de um lp de estréia ou de algo além de datas de show da banda. imagino que eles pretendam fazer um, mas nunca se sabe, esses texanos são uns sujeitinhos estranhos.


por franty
em 24.7.04



new wave + bossa nova = nouvelle vague


certas vezes, a criatividade e a originalidade se expressa através não da criação de algo novo, mas da reciclagem de velhas e boas idéias. claro que misturar elementos muito diferentes entre si é uma operação perigosa, cujo potencial para o desastre é algo extremo. mas, por outro lado, se o trabalho é realizado com cuidado (e doses cavalares de talento), os resultados podem vir a ser deliciosamente surpreendentes.


nouvelle vague (peacefrog, 2004)
nouvelle vague é um projeto dos franceses marc collin e olivier libaux que consiste fazer versões bossa nova de hits da new wave dos anos 80. para cantar, eles recrutaram cantoras (de várias nacionalidades, incluindo uma carioca) que nunca tinham ouvido as versões originais das músicas.

o repertório por si só já vale a pena: joy division (love will tear us apart), depeche mode (i just can't get enough), tuxedomoon (in a manner of speaking), the clash (guns of brixton), public image ltd. (this is not a love song), dead kennedys (too drunk to fuck), sisters of mercy (marian), xtc (making plans for nigel), the cure (a forest), modern english (i melt with you), the undertones (teenage kicks), killing joke (pssyche), e the specials (friday night, saturday morning).

o legal é que essas músicas, apesar de familiares aos ouvidos de muita gente, parecem, neste disco, terem sido compostas não por robert smith, joe strummer, jello biafra ou ian curtis, mas por músicos brasileiros nos anos 60, em algum bar em ipanema.

esse album me atingiu em cheio. várias dessas músicas são favoritas minhas desde os 13, 14 anos, mas meu interesse por música brasileira só foi começar mesmo no final da adolescência (e, pra falar a verdade, eu só fui "entender" a mpb nos últimos 2 ou 3 anos). é impossível não reconhecer as letras, e a surpresa contida em cada arranjo torna o nouvelle vague uma das mais interessantes e bem realizadas experiências musicais de 2004 (e dos últimos anos, pra falar a verdade).


por franty
em 23.7.04



will, robô




o único livro do isaac asimov que eu li (sim, é apenas uma lenda a história de que eu li todos os livros) foi homem bicentenário. quando soube que iam fazer um filme fiquei super empolgado, mais ou menos quando eu soube que iam filmar a triologia do senhor dos anéis. entretanto, quando o filme saiu, descobri que o roteirista devia me odiar, porque uma coisa na história (o amor entre o robo e sua dona) transformava uma fábula a respeito da definição de vida ("ser ou não ser" cabe bem aqui) em um romancezinho idiota de sessão da tarde.

quando eu fiquei sabendo que "eu, robô", outra obra de asimov ia ganhar versão cinematográfica que que will smith ia ser o protagonista eu tremi de medo (um tipo de empolgação ao avesso, agora me parece), isso porque ele não tinha ainda me provado ser capaz de fazer algo que me agradasse. mas então eu parei pra pensar... gostei do jim carrey em 'eternal sunshine..', porque não dar uma chance ao will smith? além do mais, o filme é dirigido por alex proyas, diretor do primeiro filme do corvo, que também é a primeira realmente bem feita adaptação dos quadrinhos já feita (os filmes do batman o seriam, se não tivessem atores principais tão mal escolhidos), enfim: resolvi dar uma chance (e não me arrependi).

'i, robot' conta a história do detetive spooner, um policial de chicao que ama calçados esportivos de antigamente (ele calça um converse all star de 2004, peça de museu, não?) e odeia robôs. mas odiar os robôs em 2034 é um problema, já que os danados estão em toda a parte. no filme, eles são os eletrodomésticos mais populares do mundo, realizando todas aquelas tarefas que nós humanos não temos a mínima idéia de quem vai fazer em uma utopia (lixeiros, faxineiros, e todos aquelas outras carreiras que não aparentam ser muito atraentes para os jovens de hoje, ou de qualquer outra época).

quando é chamado para investigar o assassinato do cientista responsável pela criação dos robôs, spooner acaba encontrando sonny, um robô com capacidades um pouco diferentes, como sentimentos, e a capacidade de não acatar as 3 regras que são gravadas fisicamente na memória de todos os robôs:

i - um robô nunca deve ferir um ser humano, ou por omissão, permitir que um ser humano seja ferido.

ii - um robô deve obedecer as ordens dadas por um ser humano, exceto quando estas ordens entrarem em conflito com a primeira lei.

iii - um robô deve proteger sua própria existência, excero se esta proteção não infringir a segunda e a primeira lei.

lembram disso? bem, quem viu 'robocop' talvez lembre. e quem viu 'inteligência artificial' pode dizer que robôs, teoricamente, se providos de um cérebro similar ao do ser humano (porém mecânico) podem ser capazes de fazer coisas inesperadas. claro, teoricamente. indo mais além do que certos filmes, podemos relembrar exemplos de histórias similares dentro da literatura, a começar por neuromancer de william gibson e ghost in the shell de masamune shirow (isso é um mangá, mas quadrinhos meio que se enquadram em "literatura" pra mim, se bem escritos). nessas histórias vemos uma inteligência artificial tomar consciência (o tal "ghost in the machine", que é citado bastante neste filme) e adquirirem uma alma, em termos mais holísticos. sonny possue este tipo de característica, e o porque pode ser visto no filme.

não quero estragar a surpresa de quem for ver o filme, mas comparando-o com a série matrix, cujo roteiro mais parecia um queijo suíço (todo furado) "eu, robô" é uma aproximação ao assunto realmente impecável. claro que o legado de matrix (que já encheu o saco, vamos admitir) persiste um pouco no filme, tanto nas cenas de ação com trechos em slow motion quanto no sobretudo de couro do detetive spooner (e no seu nome, quem perceber ganha um doçe). na verdade, este filme pode até ser interpretado como uma prequela de matrix, apesar de ser mais bem construído do que aqueles episódios do animatrix. sinceramente, eu prefiro ver essa história como única, e temo que até uma continuação vá estragar o que já foi feito.

visualmente, claro, a superprodução é realmente de encher os olhos. principalmente no design dos robôs ns-5, claramente inspirados nos do clipe de 'all is full of love' da björk (dirigido por michael gondry), só que sem o belo rosto da atriz (no lugar temos o ator alan tudyk, no papel de sonny). smith faz bem seu papel. infelizmente ele não é tão charmoso quanto harrisson ford, o que não é tão grave, afinal 'i, robot' também não é nenhum 'blade runner'.



http://www.irobotmovie.com/
http://www.irobotnow.com/
http://www.asimovonline.com/


por franty
em 21.7.04



1+1=1


depois de dois anos de silêncio, o 'guri mal desenhado' está de volta, com um album introspectivo, melancólico e simplesmente emocionante, com direito a dedicatória à memória de elliot smith e joe strummer.


badly drawn boy - one plus one is one (astralwerks, 2004)
o terceiro trabalho do inglês damon gough, o badly drawn boy aponta para um novo caminho na carreira do artista, afastando-o da sonoridade pop complexa do seu album de 2002, 'have you fed the fish?' e retornando a simplicidade semi lo-fi de seu início de carreira.
as vezes fica a impressão de que artistas do quitate de gough (como os finados elliot smith e jeff buckley) teriam, se tivessem aparecido uns vinte ou trinta anos antes, tornado-se ícones da música pop, como lennon, dylan e bowie. no entanto, ao que me parece, carreiras solo hoje em dia, a não ser que destinadas ao público adolescente (justin timberlakes da vida), simplesmente não deslancham como deveriam.
digo isso porque um album tão bem composto como 'one plus one is on', tanto no que se refere aos arranjos quanto no que se refere as letras, deveria ser um dos mais antecipados do ano, o que infelizmente não acontece.
ainda mais fora dos estados unidos e inglaterra, e principalmente aqui no mercado latino, onde este tipo de música fica limitada aos ouvidos de poucos curiosos, na maioria indies de carteirinha (que, se tem uma boa qualidade é a de ir atrás do que 'acontece' sempre).
bem, mas chega de reclamar, aliás, o que se pode fazer aqui é elogiar. gough se superou neste trabalho, conseguindo resolver alguns probleminhas que ficaram pendentes em 'have you fed..', como evitar um pouco aquelas mudanças súbitas de direção (o album anterior variava muito, sendo bom e não tanto ao mesmo tempo). 'one plus..' é um album coerente, mas não só isso é um album realmente emocionante, talvez um dos mais honestos desabafos pessoais já transformados em música.
mesmo triste, 'one plus..' não é deprimente, mas sim emocionante. 'this is that new song' traz uma das mais belas letras compostas nos últimos anos, cantando sobre saudade: "if i new where all the tears were flowing to/i'd guide them to a river/where i'd swim with you down stream/this is that old dream/i told you about twenty years ago"
musicalmente, gough nunca esteve tão parecido com os beatles (em fase terminal) e john lennon em carreira solo, mas não interprete isso como uma imitação, mesmo porque é algo que só se percebe depois de ouvir o album algumas vezes, sendo mais um eco, uma inspiração não intencional do que uma repetição direta.



por franty
em 19.7.04



um dinossauro de sapatos bicolores




crianças, o tio franty voltou! e se não foi a minha surpresa ver na mtv latina o clipe de 'walk idiot walk', música nueva dos barulhentos/retrô/punk/humildes/humildes/humildes the hives. talvez a minha maior marcação de bobeira em 2004 foi não reparar neste disco antes (bem, deve ter vazado faz poucos dias, já que só agora teve resenha no indierock.com.br). bem, de volta pra casa eu corri para o soulseek e conferi como estão as coisas com o the hives e, crianças... as coisas vão muito bem obrigado..


the hives - tyrannosaurus hives (interscope, 2004)
quando o the hives reformulou seu som (deixando-o mais rock and roll, menos punk) com o album 'veni vidi vicious', de 2000, a vida de quem tentava desesperadamente separar o joio do trigo no que se referem a toda a onda 'retrô' que o rock tomou neste início de década ficou bem mais fácil. com hits (ou melhor, clássicos instantâneos) como 'die, all right', 'main offender' e 'hate to say i told you so' eles deixaram a 'concorrência' (leia-se aqui strokes, kings of leon, e outros sobre os quais falar mal aqui vai me resultar em algumas pedradas na testa) literalmente comendo poeira.
quatro intermináveis anos depois, e agora em uma gravadora grande (hmm... ninguém é perfeito) a banda do baixista de bigodinho volta com meia hora do que eles melhor sabem fazer: rock sujo. garageiro. com pitadas explosivas de stooges, trashmen e new york dolls (falando no dolls, o baixista arthur kane passou desta pra melhor essa semana, o que foi uma merda de notícia).
dizer se t-hives vai ter o mesmo impacto que 'vvv' ainda é algo precipitado. o video de 'walk idiot walk' provavelmente vai ter alta rotação na mtv, visto que é algo como uma versão 360 graus do que eles tinham feito no clipe de 'main offender'. algumas das faixas são realmente empolgantes (aliás empolgante é uma boa descrição para o the hives em geral), como 'love in plaster' e a semi-mais-devagar-um-pouco 'diabolic scheme'.
se o the hives tem mais atitude ou mais pose cabe a cada um julgar. pra mim, que não conheço os caras nem tenho ouvido falar de estrelismos da parte deles fica a impressão de que eles simplesmente não estão nem aí mesmo, sem vergonha nenhuma de ter embarcado na onda do sucesso da cena retrô, mesmo porque eles tem, como poucos, muito mais pra oferecer. fora se vestirem bem melhor. já reparou naqueles sapatos bicolores?



por franty
em 16.7.04